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Agendas Temáticas de Investigação e Inovação

Introdução

Dando sequência ao espírito da Resolução do Conselho de Ministros nº 32/2016 de 3 de junho e em particular ao definido no anexo “Compromisso com o Conhecimento e a Ciência: o Compromisso com o Futuro”, a FCT assegura a elaboração de catorze Agendas Temáticas de I&I.

As Agendas Temáticas de Investigação e Inovação visam em particular mobilizar peritos de instituições de I&D e de empresas na identificação de desafios e oportunidades a nível do sistema científico e tecnológico nacional, nomeadamente numa perspetiva de médio e longo prazo. É esperado que as agendas possam igualmente contribuir para o desenvolvimento de investigação e inovação dando contributos para a resposta a problemas ou necessidades de diferentes setores da sociedade.

O processo – inclusivo e dinâmico - de desenvolvimento das agendas, envolvendo peritos com origem na academia, centros de investigação, empresas, entidades públicas e cidadãos, num quadro de diálogo entre diferentes atores nacionais, permite especificar as áreas que se configurem como emergentes e promissoras para a Investigação e Inovação portuguesa, numa perspetiva de médio e longo prazo, até 2030.

    • A elaboração das agendas temáticas tem como principais objetivos promover a reflexão coletiva sobre a base de conhecimento de suporte ao desenvolvimento científico, tecnológico e socioeconómico do país nos temas em questão.

      Os principais objetivos das agendas temáticas são:

      - A promoção do diálogo entre as comunidades científicas e empresariais, conjugando-se as capacidades e necessidades dos investigadores, dos cidadãos, das empresas, da Administração Pública e de organizações da sociedade civil;
      - A constituição de uma visão de médio e longo prazo sobre o sistema português de investigação e inovação, bem como de linhas de I&I mais promissoras para a concretização dessa visão em cada uma das áreas temáticas;
      - A contribuição para a construção de fontes de informação suscetíveis de inspirar e sustentar os processos de decisão, nomeadamente no que respeita às estratégias de internacionalização de I&I, bem como às agendas de investigação das instituições e dos seus investigadores.

    • O processo de desenvolvimento das agendas temáticas de I&I privilegia uma abordagem inclusiva e bottom-up, baseada no envolvimento das comunidades científicas, tecnológicas e empresariais, e de outras entidades. Este processo inspira-se em práticas internacionais de criação de agendas estratégicas e mobilizadoras de investigação e inovação.

      Cada Agenda é desenvolvida por grupos de peritos com representantes das comunidades científicas e empresariais.

      A constituição dos grupos de peritos concretizou-se a partir de convites dirigidos a responsáveis de unidades de I&D e de empresas para indicação de especialistas, bem como de convites diretos da FCT a peritos procurando acolher as diferentes valências do tema.

      Embora a FCT promova o apoio técnico e logístico necessário ao funcionamento dos trabalhos, incluindo a proposta de estrutura de conteúdos, cabe aos grupos de peritos a principal responsabilidade sobre a produção dos conteúdos em cada agenda. A estrutura temática interna de cada agenda é definida pelos grupos de peritos que, ao mesmo tempo, escolhem os peritos que assumem responsabilidades de relator e de coordenação.

      Este processo inovador e dinâmico visa estimular a troca de ideias entre comunidade científica e empresarial num contínuo diálogo com vista à construção de uma agenda partilhada.

      Foi ainda promovida uma consulta pública à comunidade, sobre as principais questões a desenvolver, havendo lugar igualmente a uma consulta a organismos da Administração Pública através de um questionário específico.

    • O trabalho de construção das agendas temáticas constitui um processo em que cada agenda apresenta uma trajetória específica, com estádios de desenvolvimento variados, dado que o correspondente momento de arranque se estendeu ao longo de vários meses.

      As agendas temáticas serão objeto de atualização regular, no quadro de uma dinâmica de discussão das mesmas que deverá ocorrer no futuro.

      A apresentação dos primeiros resultados das Agendas Temáticas no CIÊNCIA 2017, em constituiu uma primeira oportunidade para a comunidade científica e tecnológica participante no evento ter um contacto preliminar com o estado de evolução de cada Agenda.

Agendas Temáticas

    • A Agenda de I&I sobre Agroalimentar, Florestas e Biodiversidade enquadra os ecossistemas terrestres, aquáticos (fluviais, estuarinos e costeiros), marinhos e, ainda as zonas de interface.

      O tema geral da agenda desenvolve-se a partir de três dimensões de reflexão estruturantes: Agroalimentar, Florestas e Biodiversidade – onde são considerados eixos prioritários de I&I e vários assuntos transversais como governança, sociedade, gestão sustentável, digitização, observação da Terra, entre outros.

    • A Agenda de I&I sobre Arquitetura Portuguesa propõe-se estimular o conhecimento e divulgação da obra edificada em Portugal e no mundo por arquitetos portugueses, facilitando novas atividades de I&D.

      Uma particular ênfase será colocada em novas atividades de I&D de base interdisciplinar em estreita articulação com a valorização arquitetónica, cultural, social e económica da arquitetura portuguesa no mundo, assim como com novos processos de revitalização urbana. Neste contexto a agenda é elaborada a partir de quatro dimensões de reflexão estruturantes:; i) Projeto, ii) Construção, iii) Património; iv) Cidade-paisagem.

    • A Agenda de I&I sobre Ciência Urbana e Cidades para o Futuro tem como objetivo promover a transição para um novo paradigma de cidade inclusiva, segura, resiliente e sustentável, a partir da reflexão sobre as necessidades da investigação e da inovação.

      A agenda desenvolve-se a partir de quatro dimensões de reflexão estruturantes: i) inclusão, integração e coesão social, ii) ambiente natural e construído e mobilidade, iii) informação, participação e governação e iv) economia urbana e competitividade.

    • A Agenda de I&I sobre Cultura e Património Cultural incide sobre os aspetos de Investigação & Inovação relacionados com a identificação, preservação, conservação, restauro, divulgação e promoção do património científico, cultural e linguístico de origem portuguesa, em toda a sua abrangência.

      Inclui-se infraestruturas abertas de conteúdos digitais, a indústria criativa, a expressão artística, a museologia, o arquivo e as demais instituições culturais. Procurando englobar o complexo nacional de “cultura” e “património cultural” em toda a sua amplitude epistémica, a agenda desenvolve-se a partir de quatro dimensões de reflexão estruturantes: i) Trânsitos culturais, identidades e memórias; ii) Preservação e sustentabilidade e ambientes em mudança; iii) Processos criativos, produção cultural e sociedade plural; iv) Língua, tecnologias, cultura digital e produção de valor.

    • A Agenda de I&I sobre Economia Circular, propõe-se constituir uma visão estratégica de I&I para a transição para a Economia Circular que potencie a sustentabilidade, a resiliência, a inclusão e a competitividade da sociedade.

      A agenda desenvolve-se a partir de quatro dimensões de reflexão estruturantes: i) Design e desenvolvimento de novos produtos, processos e serviços; ii) Gestão sustentável dos ciclos de recursos; iii) Governança e território e iv) Novos modelos de negócio, comportamento e consumo.

    • A Agenda de I&I sobre Espaço e Observação da Terra reconhece-se como um pilar de inspiração e promoção das tecnologias espaciais como incontornáveis para o futuro de Portugal, justificando o investimento nas ciências do Espaço e da Terra, produzindo respostas para as questões fundamentais do nosso Universo.

      Com foco em instrumentos, métodos de processamento de dados e computação, entre outros, na organização desta Agenda distinguem-se 2 eixos que se subdividem em dimensões de reflexão estruturantes: eixo número 1 - relativo às dimensões determinantes que constituem a investigação sobre o Espaço em Portugal: Ciências do Universo, Tecnologias para o Espaço e Observação da Terra, e eixo número 2 - relativo à inovação na indústria que se determina pelas tecnologias e aplicações que integram a cadeia de valor onde atua este ecossistema.

    • A Agenda de I&I sobre Inclusão Social e Cidadania reflete sobre as preocupações da inclusão social e do exercício da cidadania, nas suas diferentes dimensões.

      A agenda desenvolve-se a partir de quatro dimensões de reflexão estruturantes: i) Inclusão social na sociedade do conhecimento; ii) proteção social, rendimento e emprego; iii) cidadania e qualidade da democracia; e iv) equidade territorial e mobilidade.

    • A Agenda de I&I sobre Indústria e Manufatura discute dimensões de investigação e inovação para a indústria e manufatura, na perspetiva do desenvolvimento e adoção de materiais e processos tecnológicos avançados.

      A agenda desenvolve-se a partir de cinco dimensões de reflexão estruturantes: i) materiais avançados, ii) em processos tecnológicos avançados, iii) na gestão eficiente dos recursos e processos, iv) na área da robótica e sistemas de manufatura inteligentes e, ainda, v) no desenvolvimento de redes colaborativas e produção industrial centrada no ser humano.

  • Mar
    • A Agenda de I&I sobre o Mar, pretende promover a investigação e o desenvolvimento nas áreas das Ciências e Tecnologias do Mar, tendo conta as valências da comunidade científica e tecnológica nacional, as condições e desafios particulares que diferenciam o posicionamento de Portugal no Atlântico.

      Considerando os proveitos da colaboração internacional associados a estes fatores, a agenda desenvolve-se a partir de quatro dimensões de reflexão estruturantes: i) conhecimento integrado dos oceanos; ii) recursos marinhos; iii) alterações globais e riscos naturais e antrópicos; iv) oceanos e sociedade.

    • A Agenda de I&I sobre Saúde, Investigação Clínica e de Translação tem como objetivo identificar prioridades nas áreas da investigação e inovação em Saúde, em Portugal, até 2030.

      A agenda desenvolve-se a partir de cinco dimensões de reflexão estruturantes: i) Promoção do envelhecimento ativo e saudável; ii) Medicina de Precisão e Biomarcadores; iii) Farmacologia, Medicamentos e Terapias Avançadas; iv) Saúde Digital e as Tecnologias Médicas; v) Avaliação em tecnologias e intervenções em saúde e Rápido Acesso à Inovação.

    • A Agenda de I&I sobre Sistemas Ciberfísicos e formas avançadas de Computação e Comunicação propõe-se constituir uma visão estratégica de I&I para o desenvolvimento dos sistemas ciberfísicos.

      A agenda desenvolve-se a partir das seguintes dimensões de reflexão estruturantes: i) infraestrutura dos sistemas ciberfísicos e sistemas de computação avançados; ii) questões transversais aos sistemas ciberfísicos (confiabilidade dos sistemas e dos dados; segurança, privacidade, resiliência e tolerância a falhas; aspetos de usabilidade e interface homem-máquina); iii) metodologias, ferramentas e conceção de sistemas Ciberfísicos e de sistemas avançados de computação; iv) tecnologias e aplicações emergentes (machine learning, big data e investigação em sistemas inteligentes).

    • A Agenda de I&I sobre Sistemas Sustentáveis de Energia procura refletir sobre o esforço nacional de I&I necessário para concretizar os objetivos de descarbonização, sobretudo, ao nível da energia e através da diminuição do recurso aos combustíveis fosseis.

      A agenda desenvolve-se a partir das seguintes dimensões de reflexão estruturantes: i) redução das necessidades energéticas / eficiência energética; ii) eletricidade: 100 % de fontes renováveis em Portugal; iii) transportes sustentáveis: redução de 25 % nas emissões de GEE comparativamente a 2005; e iv) Calor e frio: substituição a 100 % das tecnologias fósseis por tecnologias de baixo carbono.

    • A Agenda de I&I sobre Trabalho, Robotização e Qualificação de Emprego em Portugal reflete e procura identificar prioridades nacionais de I&I no que respeita à robotização e às suas relações com novos modelos de trabalho.

      A agenda desenvolve-se a partir de três dimensões de reflexão estruturantes: i) robotização avançada, sistemas autónomos e inteligência artificial e novos modelos de trabalho; ii) qualificação das pessoas, competências e fatores de empregabilidade; e iii) desenvolvimento da robotização e da inteligência artificial como fonte de desafios e oportunidades para a sociedade.

    • A Agenda de I&I sobre Turismo, Hospitalidade e Gestão do Lazer procura potenciar novos conhecimentos para a valorização turística de Portugal no mundo.

      Na vertente investigação a agenda desenvolve-se a partir das dimensões de reflexão seguintes: i) territórios e recursos; ii) competitividade; iii) comportamentos e perfis; iv) sustentabilidade; v) cultura e globalização. Na vertente inovação, as dimensões de reflexão incidem sobre: i) territórios e recursos; ii) empresas e organizações; iii) tecnologias; iv) sustentabilidade; v) inovação social.