O Programa IDEIAS do 7º Programa Quadro Europeu constitui uma oportunidade, até agora pouco explorada pelos centros de I&D, Laboratórios Associados e Laboratórios de Estado, para melhorar as condições de trabalho dos investigadores residentes ou para atrair para Portugal investigadores talentosos de todo o mundo, trazendo prestígio e fundos significativos para o desenvolvimento e internacionalização da ciência portuguesa.
O programa IDEIAS, gerido pelo European Research Council, ERC, e financiado pela Comissão Europeia, dirige-se a investigadores em diferentes fases da carreira e financia projectos inovadores, na fronteira do conhecimento, em todas as áreas científicas, propostos por jovens investigadores (Starting Grants, StG) e por investigadores experientes com um CV comprovadamente excelente nos últimos 10 anos (Advanced Grants, AdG). O único critério de avaliação destes projectos é a excelência do binómio investigador/ideia. Os grants do ERC são individuais, não obrigando a qualquer consórcio internacional. No caso dos AdG, o financiamento pode ir até 2,5M€/cinco anos, acrescendo um 1M€ em situações especiais como aquisição de um equipamento de ponta ou necessidade de instalação de um investigador vindo de um país terceiro à União Europeia. Para os mais jovens, os grants podem ir até 1,5 M€ para os mesmos 5 anos.
O ERC funciona actualmente como padrão de referência de excelência a nível europeu. Contudo, as instituições portuguesas, talvez por défice de informação, não têm participado nos concursos abertos pelo ERC desperdiçando assim a oportunidade de cativar recursos humanos excelentes e aumentar o prestígio da instituição através deste tipo de financiamento. Este distanciamento contrasta com outras instituições europeias que se publicitam na internet e noutros meios como potenciais instituições de acolhimento de grants do ERC, oferendo incentivos e acabando por receber investigadores de topo de todo o mundo e os consequentes fundos e prestígio associados.
A participação portuguesa nos Starting Grants tem vindo a aumentar (2 em 2007, 4 em 2009 e 6 em 2010), assim como a taxa de sucesso (6 grants em 36 candidaturas em 2010). Já os investigadores mais experientes candidatam-se muito menos, e não será certamente por falta de competências (40 candidaturas no período 2008-2010, apenas 13 em 2010, com apenas 4 grants aprovados – 2 em 2010).
Ainda durante o 7ºPQ, os fundos do ERC aumentarão significativamente em 2012 (concurso abre em Outubro de 2011) e 2013, e no próximo PQ (2014-2020) espera-se que o ERC veja o seu orçamento duplicado. Anuncia-se já para 2012 a possibilidade de financiamento de “clusters” locais de investigadores sediados no mesmo local de excelência (ERC-Synergy) que permitirá financiamentos da ordem de 15 M€/5 anos. São oportunidades que não se podem perder e a FCT aconselha vivamente os investigadores nacionais com mais experiência e currículo científico a não deixarem de preparar candidaturas a estes programas (Advanced Grants e SyNergy). Para tal, podem contar com o apoio do Gabinete de Promoção do 7ºPQ, que funciona no âmbito da FCT, na preparação das suas propostas.
Preparar uma proposta ao ERC corresponde a um investimento a médio e longo prazo e, por isso, quanto mais tarde iniciar o processo de participação no programa, menos hipóteses terá de ser bem sucedido. Venho, portanto, convidá-lo(a) e incentivá-lo(a) a promover, entre os investigadores que integram a sua instituição de investigação, boas candidaturas ao programa IDEIAS. Este tipo de financiamento pode conferir uma muito maior autonomia de investigação.
João Sentieiro
Presidente da FCT