As estatísticas disponibilizadas caracterizam uma década de financiamento público em Projectos de Investigação Científica e Desenvolvimento Tecnológico, atribuído através da Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT). Em traços gerais, de 2000 a 2009 foram transferidos cerca de 345 milhões de euros para instituições científicas portuguesas que beneficiaram 6019 projectos de I&D. Oitenta e nove por cento desse montante destinou-se a projectos aprovados no âmbito de concursos gerais, abertos a todos os domínios científicos (em oposição a concursos específicos, dirigidos a determinados domínios ou temas).
No decurso destes 10 anos, comparando 2000 com 2009, as alterações mais significativas na estrutura do financiamento por domínio científico foram uma diminuição percentual acentuada nas Ciências da Engenharia e Tecnologias (-19%), compensada sobretudo nas Ciências Médicas e da Saúde (+12%). As Ciências Naturais e as Humanidades tiveram também um incremento, mas na ordem dos 3% e 4 % respectivamente. Por região, assistiu-se a uma perda percentual em Lisboa e Vale do Tejo (-10%) que beneficiou o Norte, sobretudo, e o Centro (8% e 4%).
Observa-se que mais recentemente houve uma intensificação deste investimento já que 37% do financiamento total acima referido foi transferido em 2008 e 2009, anos em que o financiamento desta natureza se situou pela primeira vez acima dos 60 milhões de euros/ano e período em que se iniciou o apoio a 1201 novos projectos. Integram as equipas destes projectos praticamente 8000 indivíduos, independentemente do número de projectos em que cada um possa participar (valor provisório dado que, para as bolsas pedidas nas candidaturas, ainda não existem na FCT os elementos de identificação de todos os bolseiros posteriormente contratados).
Quanto à avaliação de candidaturas, a partir do Concurso de Projectos de I&D em todos os Domínios Científicos 2008 (inclusive) houve diferenças significativas nos processos quando comparados com o de 2006. Em prol de uma maior homogeneidade da avaliação, o número de painéis e o número de avaliadores por concurso diminuíram (-50% dos painéis e -18% dos avaliadores), mantendo-se no entanto o número de pareceres individuais por projecto a avaliar. Com o objectivo de dar uma maior atenção à especificidade das diversas candidaturas, o número de peritos externos aumentou (+80%). É assinalável ainda, como consequência, uma simplificação administrativa e uma contenção de custos, pese embora o facto de as candidaturas terem crescido 19%.
A partir de 2008, os concursos gerais passaram a ter uma periodicidade anual e os processos de avaliação continuaram a ser alvo de modificações visando uma maior eficácia e eficiência.
30 Junho 2010