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Notícias

14-04-2020

Maria de Sousa (1939-2020)

A FCT regista com profundo pesar o falecimento da investigadora Maria de Sousa, esta terça-feira, 14 de abril 2020. Nascida em Lisboa em 1939, teve de escolher entre o caminho da música como pianista e a medicina. Venceu a medicina e em 1963 licenciou-se na Faculdade de Medicina de Lisboa, seguindo o seu percurso como investigadora entre Inglaterra, Escócia, Estados Unidos e Portugal.

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A FCT recupera uma entrevista realizada por Ioav Cabantchik, President of the International Bioiron Society a Maria de Sousa, em junho de 2018, em que na primeira pessoa conta a sua história. Nesta entrevista, Maria de Sousa revela a razão pela qual escolheu a investigação, quando ainda exercia medicina e “era difícil ver os pacientes e não ter nada para oferecer além de cortisona, antibióticos e a necessidade de fazer investigação era óbvia, e assim comecei a fazer investigação e tive a sorte de no primeiro trabalho fazer uma descoberta”, a conhecida área T.

Considerada uma “Mulher de Ciência”, foi entre 1964 e 1966, quando se encontrava nos Laboratórios de Biologia Experimental em Mill Hill - Londres, que fez a grande descoberta que a consagrou na área da imunologia, a descoberta da área timo-dependente conhecida mundialmente por área T. A investigadora percebeu como se realizava a migração organizada dos linfócitos, as células do sistema imunitário que são fundamentais para o combate a doenças e infeções. Nas experiências realizadas constatou que nos órgãos linfáticos periféricos existe espaço reservado aos linfócitos do timo, os linfócitos T, (o timo é uma glândula situada no peito) e outras áreas destinadas para outro tipo de linfócitos. Antes da sua descoberta e até 1964 pensava-se que todos os tipos de linfócitos eram provenientes do timo.

Em 1968, Maria de Sousa rumou até à Escócia e em 1972 doutorou-se em imunologia na Universidade de Glasgow. Durante este período, mais precisamente em 1971, a investigadora atribuiu o nome “ecotaxis” ao fenómeno de migração dos linfócitos de diferentes origens, do timo e da medula óssea onde se forma outro tipo de linfócitos, com destino a microambientes específicos nos órgãos linfáticos periféricos.

Próxima paragem Estados Unidos, onde a investigadora desempenhou funções no Instituto Sloan Kettering para a Investigação do Cancro e na Faculdade de Medicina de Cornell, ambos em Nova Iorque, passando ainda pela Faculdade de Medicina de Harvard, em Cambridge (Boston).

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Portugal voltou a receber Maria de Sousa em 1984, mas foi um ano depois em 1985 que se tornou professora catedrática de imunologia no Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar (ICBAS), no Porto. Em 1991, coordenou a área das ciências da saúde no processo de implantação da avaliação externa e independente aos centros de investigação portugueses, conduzida pela JNICT (Junta Nacional de Investigação Científica e Tecnológica, instituição antecessora da FCT).

Maria de Sousa foi condecorada por três presidentes da República: em 1995 por Mário Soares, com o grau de grande-oficial da Ordem Infante D. Henrique; em 2012 por Aníbal Cavaco Silva, com o grau de grande-oficial da Ordem Militar de Sant'Iago da Espada; e em 2016 por Marcelo Rebelo de Sousa, com a grã-cruz da Ordem Militar de Sant'Iago da Espada. Recebeu também o Grande Prémio Bial de Medicina em 1995, o Prémio Estímulo à Excelência em 2004 e a Medalha de Ouro de Mérito Científico em 2009, ambos atribuídos pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior. Foi também em 2010 que assinalou a sua jubilação, no Salão Nobre da Reitoria da Universidade do Porto, local onde lhe foi atribuído, em 2011, o título de Professora Emérita da Universidade do Porto. Seguiram-se o Prémio Universidade de Coimbra 2011 e o Prémio Universidade de Lisboa em 2017. 

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